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Mirra Alfassa - A Mãe
Blanche Rachel Mirra Alfassa, mais conhecida como Mirra Alfassa, e posteriormente como “Mãe”,  nasceu em 21 de Fevereiro de 1878 em Paris, filha de um banqueiro turco e de mãe, egípcia, cujas famílias eram de descendência aristocrática.

Desde os cinco anos de idade, a Mãe estava consciente de que não pertencia a este mundo, que não tinha uma consciência humana. Sua sadhana (prática espiritual) começou a essa idade. "Comecei a fazer o meu Yoga a partir dos 4 anos de idade. Havia uma pequena cadeira para a qual eu usava para sentar, absorvida em meditação. Uma luz muito brilhante descia sobre a minha cabeça e produzia uma agitação mental . Claro que eu entendia nada, não tinha  idade para a compreender isso. Mas gradualmente eu sentia, “eu terei de fazer um grande trabalho que ninguém ainda sabia ".

Quando ela tinha entre 5 a 7 anos de idade ... e o pai dela que adorava o circo disse para ela: "Vamos ao circo no domingo." Ela respondeu: "Não, tenho coisa mais interessante para fazer do que ir ao circo!"

Entre os 12 e 13 anos teve uma série de experiências psíquicas e espirituais que lhe revelaram não apenas a existência de Deus, mas a possibilidade de encontrá-lo e revelá-lo integralmente em consciência e ação, e de manifestá-Lo na terra em uma vida divina. Isso, e uma prática para a sua realização foi-lhe dado durante o sono, por vários mestres, alguns dos quais veio a encontrar posteriormente no plano físico. Mais tarde o contacto com um desses mestres tornou-se cada vez mais claro e significativo e apesar do escasso conhecimento das filosofias indianas e religiões que tinha na altura, Mirra foi impelida a chamá-lo de Krishna. Desde então tomou consciência que seria com ele que ela deveria realizar o seu trabalho. Mirra estudou pintura e desenho e tornou-se uma pintora de talento tendo exposto ao lado de grandes artistas como Renoir, Cézanne e outros.

Entre os 15 e 19 anos participou do Estúdio de arte da Academia Julian (fundada por Julian Rodolphe em 1868, em Paris. Embora muito jovem, ela foi procurada pelos estudantes para mediar duas disputas. Ela era freqüentemente série e manteve-se ocupada com seu trabalho e eles costumavam chamá-la de esfinge. Seis das obras pela mãe foram exibidas no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Em Outubro de 1897 casou-se com Henri Morisset (discípulo do pintor Gustav Moreau), de quem teve um filho. A pintura possibilitou-lhe grandes vislumbres no seu processo criativo. Era também uma leitora assídua e conhecia profundamente os museus e castelos de França e de Itália. Sua cultura foi-se expandindo muito, tornando-se vasta, profunda e refinada. Ela nunca fez a usual distinção entre o espiritual e o mundano. Tal como disse Sri Aurobindo “ Toda a vida é Yoga” e Mirra assim a considerava apesar de não conhecer este dizer enquanto dito de Sri Aurobindo.

Aos 21 anos leu o Bhagavad-Gita e apesar de ter lido uma tradução muito pobre foi capaz de intuitivamente entrar no seu propósito.

Por volta de 1906 conheceu Max Théon, um exilado polonês que era um grande ocultista, e sua esposa Alma, também altamente dotada espiritualmente. Eles moravam em Tlémsem, na Argéria, às margens do deserto do Saara. Esse encontro fortaleceu em Mirra a decisão de estudar o ocultismo em profundidade e os dois anos seguintes passou-os em Tlémsem. As suas experiências foram muitas nesse tempo, que lhe revelaram a existência de níveis de consciência, de seres e forças que normalmente não podemos conceber e também a possibilidade de controlar essas forças. Contudo sempre afirmava que o conhecimento oculto sem disciplina espiritual era um instrumento perigoso.

Em 1910 casou-se com Paul Richard, um brilhante intelectual profundamente interessado na espiritualidade oriental e ocidental. Quando Richard voltou de uma viagem à Índia, Mirra soube da existência de Sri Aurobindo através dele e sentiu-se irresistivelmente atraída por aquele país. Participou em trabalhos de grupo sobre auto-conhecimento participando mesmo em palestras e discursos. A visão de Mirra projetava-se no futuro do destino do homem e no papel que desempenharia para apressar esse destino. Falava sobre vários temas não como divagações intelectuais mas como verdadeira busca espiritual.

Esteve na Índia em 1914, Mirra encontrou-se com Sri Aurobindo reconhecendo-o imediatamente como o Mestre que lhe aparecia em seus sonhos e com o qual sabia ter forte ligação. Aceitou-o como guru e seguiu a sua disciplina, permanecendo e trabalhando a seu lado. Em Pondicherry ela ficou quase um ano e foi graças à sua colaboração e à de seu marido que o periódico “Arya”, no qual Sri Aurobindo escreveu a maior parte dos seus trabalhos, os mais notáveis, como a “Vida Divina”, “Síntesis do Yoga”, etc., começou a circular. Ao fim desse tempo o casal francês viu-se obrigado a voltar a Paris dada a eclosão da I Guerra Mundial. Voltou a Paris onde o seu casamento se desfez. Era o começo de uma nova etapa na sua vida na qual se encontrava com pessoas e grupos que estavam à procura da verdadeira espiritualidade, ela os ajudava a enfrentar os problemas da vida e do trabalho.

Depois de passar os anos de guerra em França e no Japão, Mirra retornou à Índia em 1920, definitivamente, encontrando sérias dificuldades para reiniciar o seu trabalho no Ashram de Śrī Aurobindo uma vez que havia muita pobreza. Mas com a continuidade da edição do jornal “Arya” e pela personalidade do autor dos seus artigos o número de discípulos foram aumentando e foi tomando forma uma vida coletiva. Nos primeiros tempos e apesar de supervisionar tudo, Mirra, vivia recolhida, dedicada à séria disciplina espiritual.

Em 1924, com a retirada de Sri Aurobindo a um aposento do Ashram, A Mãe tomou a direção prática da comunidade, que conduziu até sua morte. A Mãe ocupou-se em explicar o pensamento de Aurobindo aos discípulos em termos simples, ocupou-se em orientar e coordenar as diversas atividades do Ashram, e também a desenvolver um trabalho interior na busca dos ideais de Sri Aurobindo. Deixou também muitos trabalhos escritos, resultados também de suas vivências interiores.

Tudo foi melhorando e em 1926, quando Sri Aurobindo se retirou do convívio com os seus discípulos para se dedicar por completo à sua prática de Yoga, Mirra assumiu a inteira responsabilidade de dirigir a comunidade, coordenando e orientando os discípulos com grande carinho e dedicação.

No princípio apenas os discípulos eram admitidos mas depois muitas famílias e mesmo os filhos dos discípulos começaram a mudar-se para o ashram e aos poucos a atmosfera de austeridade que prevalecia foi-se transformando e velhas barreiras foram cedendo ante esse novo influxo. Mirra tinha agora mais esse desafio: cuidar da saúde mental, vital e física das crianças.
Grande era a importância que Sri Aurobindo e a Mãe davam à educação e para tornarem concreta essa visão e atendendo às necessidades, a Mãe resolveu abrir uma escola para crianças em 1943 e em 1945 acrescentou o departamento de educação física que mantinha os alunos em atividade após o término das aulas.
Não demorou muito para que Mirra se misturasse com as crianças, contando-lhes histórias e dispensando boa parte do seu tempo entre elas.

A escola cresceu, vários sistemas educativos foram experimentados e em 1952 foi inaugurado o “Centro Universitário Internacional de Sri Aurobindo” que em 1959 se passou a chamar “Centro Internacional de Educação Sri Aurobindo” ficando assim conhecido pelo mundo inteiro. Pela sua experiência e gênio de organização, o ashram de Sri Aurobindo foi se expandindo e o trabalho desenvolvido pela Mãe cresceu cada vez mais em volume e complexidade. Para ela não havia tarefa insignificante ou sem importância e tudo o que fazia era permeado de beleza e significação espiritual. Suas “conversas” com os discípulos tornaram-se famosas e mais tarde foram traduzidas e espalhadas pelo mundo. Originalmente em inglês, depois foi em francês, língua que a Mãe começou a ensinar aos discípulos. Ela versava sobre os mais variados tópicos que seriam praticamente a introdução ao “Yoga Integral” de Sri Aurobindo. Finalmente, em 1958 ela retirou-se para seu quarto para chegar à raiz do problema: o "yoga das células" que levou-a à descoberta de uma "mente celular" capaz de reestruturar a natureza do corpo. De 1958 a 1973, ela lentamente desvelou a "Grande Passagem" para a próxima espécie e um novo modo de vida na Matéria. Esta é a Agenda (anotações). Em 1968 ela fundou Auroville, a poucas milhas de Pondicherry, como um "laboratório para a nova evolução".Sri Aurobindo disse uma vez: «O ashram é criação da Mãe, sem ela, não teria existido».
No dia 17 de Novembro de 1973, a Mãe deixou o seu corpo físico, com a idade avançada de 95 anos. A notícia espalhou-se célere e dos quatro cantos do mundo acorreram seus admiradores e discípulos para prestar a última homenagem àquela que ficou conhecida como a Mãe, do ashram de Sri Aurobindo.
selo lançado em 1978 - Índia
    5 anos                       7 anos                           19 anos              Mirra e seu filho Andre


  

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